COMO SE CURAR DA FALTA DE INTERESSE PELA VIDA

Existe o suicídio rápido, tomado por impulso; e o suicídio lento, praticado a conta-gotas quando a pessoa não trata da falta de interesse pela vida.

Nunca é demais repetir que a vida é o aqui e o agora. Cuidar do instante em que vivemos é um abençoado recurso para ter mais entusiasmo e desejo de viver. O presente é tudo o que temos.

Nos sistemas de cura que ofereço, procuro, em todos os atendimentos individuais ou em grupo, provocar reflexões mais profundas nas pessoas. Um pouco de filosofia é um forte aliado ao processo terapêutico de cada ser humano.
Encontrar respostas para o sentido da vida, o porquê de estar no mundo e buscar um propósito maior tem tirado muita gente da falta de interesse pela vida, resgatado muitos das crises depressivas.

Há alguns anos, uma senhora me procurou com duas preocupações: a primeira era o fato de, mesmo sendo avó e amar seus filhos e netos, estava sem vontade de viver e tomando medicamentos para amenizar as crises depressivas; a segunda preocupação era o fato de ser seguidora de determinada doutrina religiosa e estava, portanto, em conflito se deveria ter os meus atendimentos. Sugeri a ela que, antes de mais nada, procurasse seu líder religioso e abrisse o coração sobre o quanto estava sofrendo e que estava buscando outro tipo de tratamento sem abandonar o da medicina convencional. Aquela senhora, retornou e me disse que o coordenador do seu grupo religioso prontamente compreendeu e a apoiou para seguir com meus atendimentos. Alguns meses depois, sentindo-se completamente motivada para viver, retornou ao seu médico que, após rigoroso procedimento, suspendeu a medicação e lhe deu alta.

O que essa experiência me mostra é que devemos buscar solução para o que tira nossa vontade de viver, com sinceridade, com transparência e sabendo que cada pessoa, conforme abre o coração, vai recebendo na medida exata o que precisa.

O grande problema é que nos sentimos presos a dogmas e doutrinas e preferimos sofrer e, às vezes, até a nos aniquilarmos enquanto pessoas do que nos livrar das algemas que nos limitam os movimentos na vida. Prendemo-nos a empregos que nos adoecem com a pronta explicação de que precisa de dinheiro, a relacionamentos amorosos infelizes, a modelos de vida que nos empurram para o chão diariamente. Ninguém precisa sobreviver assim porque isso vai contra a dignidade humana.

Para se curar da falta de vontade de viver, mesmo que a pessoa esteja no mais pegajoso pântano da doença e da descrença com tudo, é preciso dar um pequeno passo que pode lhe salvar a vida: dizer sim, abrir a alma e admitir que precisa e que quer ajuda. Reconhecer que precisa de ajuda já é começar a derrotar a falta de interesse pela Vida! (Aluísio Alves: Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Constelador Familiar).

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