UMA COMPREENSÃO LIBERTADORA SOBRE O AMOR

Muitos ainda se surpreendem quando afirmamos que o amor pode adoecer e pode curar. E é muito libertador compreender que tipo de amor que traz adoecimentos e o que cura nossas almas.

Muitas crises na vida material, amorosa, na saúde, na profissão, na relação com pais, irmãos ou amigos, vem porque muitos amam cegamente e exigem ser amados também cegamente, como se fossem crianças muito pequenas.

Esse tipo de amor cego que indica a dependência de um bebezinho, o ser precisa ser cuidado simplesmente porque existe, porque está ali e pronto. Nessa relação com a mãe ou com quem a substitui, a relação é de total dependência em que o bebê nada pode oferecer em troca, seu amor é do tipo que só recebe e isso está certo, é natural. Será que tem gente adulta que vive assim?

Com o desenvolvimento, o pequeno ser começa a perceber que não é só ele e a mãe que existem no mundo. Existe o pai, o grupo familiar, independentemente de como seja configurado. Algo mudou e isso vai exigir adaptações e um novo tipo de amor precisa ser desenvolvido, dar lugar a outras pessoas em sua vida.

Ao crescer, vem as relações interpessoais, as amizades e aí é exigido outro tipo de amor: o amor que dá e recebe, acontecem as trocas porque agora, o ser não será cuidado da forma como era à época de bebê. Amizades e relacionamentos só desenvolvem se houver o dar e o receber.

Ao se tornar adulto, o ser humano busca outro adulto para se vincular através do amor que se manifesta por meio da sexualidade. Portanto, a expressão saudável da sexualidade é o que garante vínculos e dos quais, na maioria dos casos, podem vir os filhos. A sexualidade permite criar vínculos.

O ciclo do amor está se completando e, nessa fase, os adultos expressam o amor materno e o paterno, que, sem dúvida nenhuma, pode ser sentido como um amor profundamente divino e que expressa a transcendência humana.
Por fim, poderia acrescentar o amor próprio, o equilíbrio da autoestima porque sem amor a si, como a pessoa enfrenta as crises naturais da existência? Como supera as enfermidades que, eventualmente, aparecem? E é sempre preciso dizer que o amor próprio é reflexo da percepção do outro, a alteridade é condição indispensável para uma autoimagem positiva e construtiva.

Uma compreensão libertadora sobre o amor pode nos livrar de sofrimentos descabidos e desnecessários, mas, para isso é preciso que nos perguntemos: neste exato momento, qual é o nível de amor que estou expressando? E das pessoas com quem convivo? Percebeu? (Aluísio Alves: Doutor em Educação Médica, Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Constelador Familiar).

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