HISTÓRIAS QUE PRENDEM E ATITUDES QUE LIBERTAM

Tudo o que nos prende vive dentro de nós e o que nos liberta depende de percebermos isso e da forma como resolvemos agir.

Bert Hellinger escreveu que “Existem histórias que são cercas. Elas comprimem e isolam. Quando nos acomodamos, elas nos proporcionam segurança. Mas, quando queremos ir em frente, bloqueiam o nosso caminho. Histórias desse tipo nós próprios nos contamos, às vezes, e as chamamos de recordações. Porém, muitas vezes, nos contamos o que na época foi mau ou nos feriu, mas não o que também nos libera. Então a lembrança se torna uma amarra, e a nossa liberdade de movimento fica reduzida”.

Nossa mente usa o expediente de nos contar histórias ou nos bombardear com lembranças que servem como justificativas para estarmos estagnados, parados como água represada em que a vida é pouco presente. Assim, temos os ingredientes “perfeitos” para nossa infelicidade: as recordações de experiências ruins e a falta de atitude que nos mantém acomodados. Trata-se de um jogo mental que prende nossa vida e enfraquece nossa capacidade de agir.

Ficamos presos, por exemplo, a recordações de experiências negativas com os pais ou com um deles, com algum irmão, com o parceiro anterior, com o emprego que gostávamos muito…e por aí vão as lembranças, todas nos fazendo olhar para baixo e funcionando como cercas que impedem nosso progresso.

Curar a alma, na visão sistêmica, é liberá-la para que faça os movimentos necessários à sua integração ao mundo e à dinâmica da vida que é cheia de vales e montanhas, quer dizer, momentos desafiadores e fases de alegria e sucesso. Assim é a existência real. Não é porque alguém teve uma vivência catastrófica com o dinheiro em certa época que ficará presa à escassez material para o resto da vida. Também ninguém está isento de vivenciar outras crises na área financeira…são os altos e baixos da realidade. Porém, a solução para resolver as dificuldades trazidas pelas histórias que prendem está na atitude de adulto que a pessoa resolve tomar e, para isso, será exigido esforço. Sem energia, sem dedicação e insistente atitude de querer ir para a frente, poucos resultados virão.

Então, em que medida adianta uma terapia profunda e reveladora como a Constelação Sistêmica? Primeiramente, para a pessoa enxergar de forma mais abrangente, perceber o que está oculto nos sintomas ou na falta de sadio movimento na vida; a partir dessa percepção mais clara e abrangente, naturalmente, é preciso uma nova atitude na vida cotidiana. E é aí o momento em que muitos preferem retornar à justificativa trazida pelas recordações, aquelas mesmas que significam: ‘isso já não deu certo antes, veja a história, veja a lembrança..’. portanto, a atitude que liberta é aquela própria de quem adota a postura adulta de não negar o que de negativo ocorreu em sua vida: ‘sim, já aconteceram coisas ruins e que me fizeram muito mal, porém, me disponho a fazer um esforço que me levará a romper com o que me cerca, com o que me impede de chegar à outra margem porque agora compreendi o que aconteceu’. O que mudou? Antes, só lembrava da história que travava e usava essa recordação para ficar sem movimento; agora, olha para a lembrança compreendendo o contexto maior em que aconteceu e, em seguida, olha para o presente (só para o presente!) e decide seguir porque tirou do que não deu certo a força para ser bem-sucedido. (Aluísio Alves: Doutor em Educação Médica, Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Constelador Familiar).

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