PERTURBAÇÕES MENTAIS E SOFRIMENTOS EMOCIONAIS: UM OLHAR SISTÊMICO

Talvez o mundo nunca tenha passado por momentos tão desafiadores quanto agora no campo da saúde mental e emocional, por isso, é preciso somar abordagens e compreensões sobre esse vasto universo humano. Psicose, depressão, TOC, pânico, esquizofrenia e ansiedade são alguns exemplos…

Bert Hellinger entende que “…no processo de cura necessita-se, além dos cuidados médicos, de cuidados com a alma. O médico pode reunir ambos ou uma outra pessoa pode apoiar o trabalho dele, ocupando-se da alma do cliente. Mas, enquanto o médico se esforça por curar a doença pelo tratamento ativo, o assistente da alma fica mais recolhido, pois com assombro se defronta com forças com as quais não tem a presunção de medir-se. Assim, em sintonia com essas forças, esforça-se para reverter o destino difícil, agindo mais como seu aliado do que como inimigo.”

As perturbações mentais e os sofrimentos emocionais, de forma geral, são sintomas que pertencem não só à pessoa, individualmente, mas, estão ligados ao seu grupo familiar de origem. Trata-se de um conjunto de manifestações que é encontrado na alma da pessoa, mas, sobretudo, na alma familiar, que é a consciência de clã que zela pela coesão do grupo.

Assim, cuidar somente da pessoa com os sintomas é insuficiente, é preciso tratar do sistema familiar dela. Nem sempre é necessário que outros membros do grupo familiar se tratem porque o que acontece em um integrante reverbera nos demais, porém, há casos em que vários familiares precisam de tratamento também.

Na abordagem sistêmica, é necessário muito cuidado e respeito ao entrar no território sagrado das histórias familiares. Exige reverência e profunda atenção às sutilezas e nuances dos sintomas e do que está colocado como pano de fundo para as perturbações mentais e sofrimentos emocionais. Não há diagnósticos formatados, prontos, que possam ser usados de forma generalizada. Isso não funciona assim. Cada pessoa e seu grupo familiar tem uma história particular. Quando se compreende que os sofrimentos mentais e emocionais não pertencem só ao indivíduo, mas também ao seu clã familiar, um caminho para boas soluções pode se apresentar.

Um olhar sistêmico significa ser mais abrangente e ajudar a criar práticas de uma medicina integral, que focalize a pessoa como parte de algo maior: seu sistema familiar de origem. Significa, sobretudo, conhecer e apresentar as ordens do amor que tem infinito poder de equilibrar, colocar em ordem e de perceber o quanto algumas perturbações mentais e sofrimentos emocionais são sinalizadores de algo que precisa ser incluído e tratado. A solução e a cura podem vir se houver o reconhecimento de que todas as doenças são maiores e que sempre tem algo a dizer e a ensinar a pacientes e a terapeutas! (Aluísio Alves: Doutor em Educação Médica, Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Constelador Familiar).

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