AS LEIS QUE REGEM AS RELAÇÕES NO GRUPO FAMILIAR

A filosofia sistêmica demonstra com clareza as leis que regem as relações no grupo familiar e os efeitos nos integrantes quando respeitam ou não tais princípios.

Ao que parece, essas leis tão arcaicas quanto os primeiros clãs humanos, foram colocadas em uso para garantir a sobrevivência do grupo e a perpetuação dos descendentes. A forma como estão estruturadas nos permitem, também, inferir que há demonstração de profunda inteligência no estabelecimento dessas regras tão abrangentes.

Antes de continuar, se olharmos para a realidade atual das sociedades ditas civilizadas, vamos perceber, com grande preocupação, o desequilíbrio emocional e espiritual a que estão submetidas e, com tendência de piorar, na visão, por exemplo da Organização Mundial de Saúde, que, recentemente, neste final de 2017, publicou um relatório acerca da demência que avança sobre as próximas gerações, com previsão estatística de triplicar, só este tipo de doença, até o ano de 2050.

Trouxe nosso estudo até o presente antes de continuar com as leis que regem as relações no grupo familiar por uma questão lógica e essencial: boa parte das doenças físicas e emocionais que estão crescendo na humanidade nascem exatamente da falta de enraizamento das pessoas; estamos vivendo perigosamente desconectados de nossas origens familiares e culturais, de maneira geral, sobretudo, com os crescentes movimentos migratórios de indivíduos ou de grupos ou parte deles. E esses princípios arcaicos servem para que cada um de nós seja alimentado com a seiva da vida que vem da fonte e passou em cada ancestral materno e paterno até chegar em nós. A ansiedade, parente próxima da depressão e das demências, em geral, agride severamente pessoas de todas as culturas em todo o mundo e, com poucas exceções, quem vive ansioso precisa tratar de algo no seu sistema familiar.

Quem nasceu no grupo familiar tem o direito de ser considerado parte, independentemente do comportamento, se estão vivos ou mortos, se foram abortados espontaneamente ou não, se são natimortos, dos diferentes valores morais ou religiosos etc. É a lei do pertencimento. Desrespeitar essa lei é excluir alguém do presente ou algum ancestral, quer dizer, fazer de conta que certos membros da família nunca existiram. Isso traz consequências graves para os descendentes.

O senso de justiça entre o que se dá e o que se recebe nas relações entre as pessoas é fundamental para a saúde integral; porém, é sempre importante lembrar que na relação entre pais e filhos, aqueles dão e os filhos recebem, sem jamais lhes ser possível retribuir na mesma moeda, mesmo que cuide dos genitores na velhice deles ou em suas necessidades relativas a saúde e a outras. É a lei do equilíbrio entre o dar e o receber. A exceção é só entre pais e filhos, porém, nas demais é saudável equilibrar o que recebe e o que dá. Isso mantém a coesão das pessoas no grupo ou numa relação amorosa, por exemplo.

Cada integrante do grupo familiar tem um lugar que lhe é de direito. Se ficar acima de alguém ou no mesmo nível hierárquico de quem é maior, isso traz consequências pesadas. Lugar de filho é de filho, lugar de pai e mãe é no lugar que lhes pertence e assim por diante. É a lei da ordem ou hierarquia. Desrespeitar consciente ou inconscientemente tal princípio gera punições que começa no nível da alma e chega aos aspectos corporais.

Para terminar: o simples conhecimento da existência das leis que regem as relações no grupo familiar já tem força para mudar sua vida e incentivá-lo a adotar outras posturas que trazem mais leveza, saúde e fluidez para você. Mãos à obra! (Aluísio Alves: Doutor em Educação Médica, Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Constelador Familiar)

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