NOVOS ENTENDIMENTOS SOBRE A SOLIDÃO: AGORA É COM VOCÊ!

A solidão tem sido um grande mal-estar para a humanidade e é vista como algo a ser extirpado da vida. Isso está correto ou não?

É preciso enxergar o fenômeno da solidão de uma forma mais ampla para que não continuemos a ser vítimas de enganos e de mitos que nos distanciam da essência da vida. De fato, antes de mais nada, é necessário reconhecer que o individualismo presente nas famílias e na sociedade tem trazido muitos sofrimentos graves, adoecimentos mentais e emocionais sendo que, em muitos casos, tem sido a mola que impulsiona muita gente ao suicídio, por exemplo. Algumas doenças específicas tem uma relação próxima com o sentimento de abandono de crianças, jovens e velhos em nossa sociedade mundial. Uma cidade no oriente, recentemente, promulgou uma lei que pune severamente os filhos que deixam seus pais abandonados, sem contato e cuidados. É um sinal claro do individualismo exacerbado que predomina nas relações humanas neste século XXI. Devemos buscar, cada um a seu modo, formas de diminuir essa solidão porque é nociva a todos nós. E uma das formas é sair do nosso mundo pessoal e incluir o outro, desde o familiar até outros seres da grande família humana.

Entretanto, existe uma solidão que é essencial para nossa saúde e nosso desenvolvimento integral. Isso pode parecer um paradoxo, algo na contramão de tudo que se lê ou se ouve sobre esse tema, porém, é fundamental ter novos entendimentos sobre a solidão para acertar mais nas posturas internas e nas atitudes na vida cotidiana.
A condição mínima para refletir, meditar, decidir, criar, praticar exercícios profundos de desenvolvimento da consciência é o ser capaz de estar só, de experimentar o silêncio e, assim, poder olhar para si fora do ruído e do barulho que inunda o mundo e as pessoas. Estar só é importantíssimo para se conhecer melhor sem o vozerio que fala o tempo todo ao nosso redor e dentro de nós. A tagarelice interna e externa é um veneno para a alma! O silêncio e o recolhimento curam!

Portanto, podemos concluir que existem dois tipos de solidão: o primeiro é nocivo e nos afasta da oportunidade de nos dar a conhecer e a conhecer o outro, nos nega a bênção da troca de cuidados e que nos faz sentir parte da humanidade inteira; o segundo tipo é positivo porque cria um espaço interno para que possamos ouvir nossa alma, nossos sussurros mais profundos e essenciais, além de nos permitir crescer emocional e espiritualmente.

A boa solidão incomoda e é dela que as pessoas fogem e se escondem no barulho do mundo, preferindo cair no ciclo de sofrimentos de buscar relacionamentos ou outros fatores que as façam se sentir acompanhadas e não sozinhas. Mas, somente quem tem a coragem para entender que existe uma solidão positiva e que ela deve ser buscada sem que isso signifique isolamento ou individualismo, consegue desemaranhar-se de sentimentos de tristeza ou de fracasso; ao contrário, consegue dar à própria vida um sentido novo e exercitar mais a reflexão e o desenvolvimento da autoconsciência! Por isso, convive melhor! Agora é com você! (Aluísio Alves: Doutor em Educação Médica, Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Constelador Familiar)

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