AS FERIDAS EMOCIONAIS E SEUS REFLEXOS NA VIDA COTIDIANA

Os sofrimentos emocionais, quando não são tratados adequadamente, se tornam fortes barreiras para que a pessoa siga bem na vida cotidiana, nas relações amorosas e de amizade e na profissão.

Por estar mergulhada na banalização da vida e da morte, a sociedade atual, nem sequer considera devidamente as pessoas que tem dores e desconfortos emocionais, chegando a usar a estratégia de, por meio de medicamentos, tentar silenciar tais sintomas. E isso é algo que somente aumenta o problema, tornando a vida um peso insuportável para muitos seres. Há gente que passa dias sem conseguir se levantar por absoluta falta de força e motivação para fazer as atividades mais básicas, desde um banho, alimentação e ir ao trabalho.

Nos atendimentos individuais e em grupo, tenho aprendido diariamente o quanto as feridas emocionais bloqueiam o fluxo do amor e da felicidade; e a fonte desses sofrimentos é, essencialmente, a família de origem. Neste breve estudo, vou apenas destacar alguns tópicos que considero fundamentais para solucionar esses grandes incômodos.
Tanto o pai quanto a mãe biológicos são pessoas comuns no sentido de serem portadores de virtudes e de imperfeições tais como quaisquer outros seres humanos. Dependendo, portanto, da forma como a pessoa cresce e leva adiante a visão ou impressão acerca do pai ou da mãe, terá algum tipo de reflexo em sua vida emocional. Quando destaco a questão emocional, quero dizer que tudo o que acontece nessa instância das emoções e dos sentimentos tem consequências e reverberações também no corpo físico. Muitas doenças tem origem nas feridas emocionais.

Não há como negar ou tentar esconder a realidade dolorosa de que existem pais cruéis, pais que, sem querer aqui julgar os motivos, machucam seus filhos e lhes causam pesados traumas que, exigem tratamento adequado para que sejam elaborados e curados. Quando ofereço um caminho de solução e cura para as pessoas que sofrem emocionalmente, o primeiro passo deve ser a coragem para olhar internamente para a mãe e para o pai biológicos. Não estou falando da figura do pai ou da mãe ou das figuras que os substituem eventualmente; refiro-me diretamente aos pais carnais. Ao aceitar e começar a fazer o movimento de alma para olhar para os pais, tudo fica mais claro, vem as compreensões que faltavam e, a partir desse ponto, a pessoa está pronta para receber a solução e a cura que lhe permitam viver plenamente, experimentar com equilíbrio o dia a dia, encarar os desafios da profissão e experienciar a relação amorosa de forma adulta, sem projeções ou desejos infantis.

Não adianta continuar imaginando que poderia ter tido outros pais. Isso não é possível. O que é possível é fazer um movimento de ver a mãe e o pai da forma real como são, com suas qualidades e imperfeições. Isso é o início de tudo. O mais surpreendente é que muitas feridas emocionais que pareciam incuráveis ou sem solução, recebem um tratamento adequado e certeiro, a alma se liberta e a pessoa passa a viver a ordem natural da vida, com seus desafios cotidianos, porém, com saúde, energia e alegria que brotam da alma! (Aluísio Alves: Doutor em Educação Médica, Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Constelador Familiar).

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