A PRÁTICA DA TOLERÂNCIA E O CRESCIMENTO PESSOAL

A filosofia sistêmica, que é a base da Constelação Familiar, não é moralista e nem se prende a conceitos religiosos ou culturais.

Entretanto, independentemente da família ou da sociedade a que pertença, a pessoa tem diante de si o desafio de desenvolver a tolerância com todos os que pensam, sentem e vivem de formas diferentes. Praticar a tolerância é um exercício que nos permite crescer integralmente. E isso pode ser começado na própria família, tanto na de origem quanto na atual.

Existe uma falsa ideia de que todos de um determinado grupo devem ser e agir da mesma maneira, mas, isso é impossível dadas as particularidades de cada pessoa. A subjetividade individual é sagrada e é essa característica que confere a originalidade de cada ser.

O fato de ter dificuldade de lidar com o que é diferente pode ser visto como um forte estímulo para o desenvolvimento da tolerância e do exercício da inclusão; porém, aqui tem uma observação: não se trata de se submeter ao que não lhe faz bem, trata-se, muito mais, de respeitar, mas conservar uma distância segura para que seja mantida a relação (ainda que não seja tão forte) e também que não cause choques e conflitos. Tolerar e incluir deve considerar a si mesmo também, de forma alguma, precisamos nos anular em nossos valores, percepções e escolhas.
Permitir que cada pessoa da família ou de fora dela seja exatamente o que ela quer ser, sem desejar modificá-la ou consertá-la, é uma atitude que fortalece nosso autoconhecimento e promove nosso crescimento pessoal.

Equilíbrio e sabedoria são as posturas exigidas no campo da tolerância porque devemos tolerar como iguais e não com atitude de superioridade. Essa afinação de nossas percepções e ações é algo sempre desafiador e diário, por isso fortalece nosso desenvolvimento. Devemos trazer à nossa consciência que os outros também, cada um na sua medida, nos toleram. Não somos seres perfeitos, mas em constante crescimento quando nos permitimos olhar para essas questões nas relações familiares e com pessoas na sociedade.

Tolerar deve ser pautada pela aceitação de que cada ser traz em si uma história e uma interpretação particular do mundo e da vida. Isso faz de todos nós, diferentes e é aí que está a riqueza da existência: mesmo sendo complexos e parecidos em muitos aspectos, somos originais, irrepetíveis e desafiadoramente semelhantes em muitos aspectos, por isso a necessidade de praticar a tolerância sem arrogância.

Em épocas nas quais os familiares se reúnem em grupos maiores surgem oportunidades raras de olhar para si, para as pessoas do seu clã e praticar amorosamente a tolerância com sabedoria, consciente de que tudo é impermanente, tudo e todos somos efêmeros e nossa vida é um breve sopro da Bondade Superior. (Aluísio Alves: Doutor em Educação Médica, Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Constelador Familiar)

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