DROGADIÇÃO E GRUPO FAMILIAR: FIOS INVISÍVEIS QUE LIMITAM A VIDA

O ponto de partida para se compreender as influências poderosas do grupo familiar nos seus integrantes é a disposição para ampliar a consciência. Significa dizer que a pessoa só enxerga quando decide ver.

Existem muitos pontos a partir dos quais podemos abordar a grave e crescente questão da drogadição, porém, neste curto espaço, aplicaremos a visão sistêmica que é o fundamento das nossas ações em terapia breve que tem por principal característica uma medicina integral, ou seja, do corpo, da alma, do espírito e da dimensão social. Ninguém adoece ou se vicia sozinho, sempre há outros personagens participantes dessas dinâmicas.

Temos constelado sintomas e doenças e percebido que a solução e a cura acontecem somente quando o constelante amplia sua consciência e aceita olhar mais profundamente para o que lhe está trazendo sofrimentos. Cada pessoa tem seu próprio ritmo ou tempo, alguns, instantaneamente entram no processo de solução; outros, devido às suas particularidades, precisam de mais tempo.

Vários procedimentos permitem encontrar os fios invisíveis que ligam a drogadição, por exemplo, a histórias familiares do lado paterno ou materno ou de ambos. É preciso olhar para o campo onde realizamos o trabalho terapêutico para ter essa percepção e ajudar o interessado a cortar essas amarras. Quais seriam algumas razões, por exemplo, para um dos pais ou ambos, “fecharem os olhos para o sofrimento ou desconforto do filho”? O grupo familiar já vivenciou em momentos passados outras experiências com a drogadição, tema que estamos abordando aqui?

Como já é universalmente aceito, é preciso tratar todo o grupo familiar quando há integrantes emaranhados com a drogadição. Para a nossa abordagem sistêmica, também, é muito claro que a família é participante de um destino comum dos seus membros e isso envolve doenças, sintomas e outras questões.

O sintoma está ligado à falta de alguma vinculação ou aparece exatamente por conta de determinada vinculação? Às vezes, é a falta que aciona o aparecimento do vício ou do sintoma; em outras circunstâncias, é o excesso que dispara o mecanismo para que surjam comportamentos ou sofrimentos… cada situação é distinta, não há modelos rígidos e prontos para serem aplicados, por isso, constelar sintomas e doenças, assim como a drogadição, é um desafio para o profissional porque lhe exige uma consciência ampliada para enxergar o que está oculto no sistema do constelante.

A alma olha para a vida ou para a morte, não há meio-termo. O que leva o grupo familiar a fingir que não está percebendo o sofrimento do integrante com a drogadição deve ser buscado com visão refinada e disposição interna para fazer os movimentos necessários para que os fios invisíveis que limitam a vida sejam percebidos e transmutados em relações afetuosas e respeitosas para que a cura encontre um lugar no coração do membro da família e de todos os pertencentes ao clã.

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