O QUE REALMENTE IMPORTA SE VAMOS TODOS MORRER?

A crescente banalização da vida e da morte tem ameaçado destruir em nós um dos aspectos mais sagrados: a reverência pelos grandes mistérios da existência.

Nos onze anos em que trabalhei em um grande hospital, promovia regularmente encontros com as várias equipes para fortalecer a união entre os diversos profissionais, lembrava, com bom humor que todos, sem exceção, tínhamos o privilégio de atuar num setor no qual aprendíamos todos os dias com a vida e com a morte e que, inclusive, deveríamos criar uma forma de pagar por tantos ensinamentos que nos chegavam no cotidiano da assistência à saúde.

Claro que era uma maneira figurativa de chamar a atenção para perceber o que, realmente, era importante em nossas vidas e no exercício profissional.

Dependendo da forma de olhar, o campo de batalha da vida pode se mostrar como oportunidades incríveis de aprendizados profundos ou, por outro lado, pode ser visto como algo inútil porque, afinal, conforme todos sabemos, vamos morrer. Será que, mesmo estando destinados a morrer, existe algo que importa a ser considerado na precária existência humana? Podemos adotar uma postura pessimista e esvaziadora de sentidos ou uma maneira positiva de lidar com a transitoriedade da vida, percebendo nesse movimento uma imensa oportunidade de aprendizados para nosso crescimento interior.

O que realmente importa se vamos todos morrer? Não seria mais inteligente interagir com o mundo e com as pessoas apenas como um devorador, um tomador? Essa história de contribuir, ajudar a melhorar a vida para outros e para si, aperfeiçoar a relação com a natureza, as pessoas não seria uma loucura, uma total falta de senso de realidade? O que importa se vamos morrer? Esta questão nos permite olhar para nossos antepassados e perceber nitidamente que eles procuraram se colocar a serviço da vida, não desistiram de servir ao futuro que somos nós, agora. O que importa é a vida e ela é um mistério maravilhoso que se manifesta de diversas formas e, mesmo estando conscientes de que no tempo adequado, teremos que nos despedir da vida, o que importa é a própria vida. Podemos ter um olhar positivo e amoroso em relação ao fenômeno da morte.

O perigo que nos cerca é a banalização da vida e da morte, a falta de ideais elevados em relação ao que fazemos no cotidiano. Ter um posicionamento saudável é olhar com amor e gratidão para tudo o que temos e somos, pela pouco compreendida chance que temos de ver os pequenos e grandes milagres da vida, desde o abrir dos olhos a cada manhã até o nascer da flor na menor planta que somos capazes de perceber. Tudo é um encanto que se revela a quem tem a atitude de olhar com amor para o mistério da vida e com respeito para o mistério da morte. Afinal, o que importa para você? (Aluísio Alves: Doutor em Educação Médica, Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Constelador Familiar).

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