OS ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO NA CONSTELAÇÃO SISTÊMICA (parte 1)

Certamente, para algumas pessoas, pode ser algo diferente pensar em incluir animais de estimação numa constelação sistêmica, porém, mesmo que nós não façamos isso, esses seres tem seus lugares em nossos grupos familiares.

Para se ter uma ideia do quanto os animais de estimação e dos animais que servem aos seres humanos em pesadas tarefas há milênios se colocam tão fortemente ligados aos seus cuidadores, muitos deles adoecem e apresentam sintomas que revelam problemas desafiadores nos grupos familiares.

Com o objetivo de gerar um pouco mais de entendimento desse tema, que tratarei em duas partes, vamos fazer uma viagem rápida pela história dos animais de estimação com os seres humanos. Tomemos como exemplos os cachorros e os gatos. São animais predadores originalmente. Significa que quando seus ancestrais viviam diretamente na natureza, eles estavam submetidos às leis vigentes nos seus ecossistemas, em que os carnívoros predadores ocupam o topo da escala e suas funções eram manter o equilíbrio nas populações que lhes serviam como alimento e, mais: promoviam o equilíbrio entre os vários sistemas que compõem a natureza.

Ao serem retirados do seu estado natural, os animais que se tornaram de estimação ou de serviços, transferiram toda a dedicação que tinham à natureza e ao seu meio para o grupo humano ao qual foram incorporados.

Entretanto, sua função ancestral de manter o equilíbrio continua, porém, agora devotam suas vidas aos seres humanos com os quais convivem, inclusive, sofrendo sempre que há desarmonias no grupo familiar do qual fazem parte. Existe um vínculo muito forte entre os animais de estimação e as famílias a quem eles se dedicam incondicionalmente. Observe que:

– o animal se entrega gratuitamente ao ser humano, confia e é leal;
– os animais de estimação fazem parte do processo evolutivo geral e, muitas vezes, assumem problemas em lugar das pessoas, é a sua forma de expressar lealdade;
– os pets sentem os traumas, as dores, as impotências, as alegrias, a saúde, as perdas e desapegos, as dificuldades e as boas coisas da vida que acontecem com eles e na vida dos seres humanos com quem vivem;
– os bichos de estimação manifestam fisicamente por meio de adoecimentos, e psicologicamente o amor sem exigência;
– finalmente, ao morrer, o animal de estimação gera a oportunidade do cuidador humano ampliar a consciência sobre a transitoriedade da vida, a doença e a morte.

Concluindo esta primeira parte da reflexão, convido-o a incluir os animais de estimação e os que prestam serviços aos seres humanos em seu posicionamento na vida, ou seja, por vinculação profunda e fiel, esses seres tem funções que vão muito além do que habitualmente conseguimos perceber. (Aluísio Alves: Doutor em Educação Médica, Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Constelador Familiar)

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