OS ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO NA CONSTELAÇÃO SISTÊMICA (parte 2)

Os animais de estimação e os que prestam serviços à humanidade têm uma vinculação que ultrapassa a mera convivência. Esses seres se entregam e confiam totalmente aos seus cuidadores humanos e passam a viver e sentir como partes dessas pessoas e dos grupos familiares em que estão engajados.

Existem muito relatos de curas de animais depois que seus cuidadores fizeram uma constelação sistêmica e os colocaram em cena. Surpreendente não é o fato dos animais demonstrarem amor incondicional, o que é novo é, agora, por meio de uma visão mais refinada, perceber que eles estão numa esfera mais sutil do que imaginávamos e isso, inclusive, numa perspectiva espiritual, vai além da morte física tanto dos cuidadores quanto dos seus fiéis animais de estimação.

Tem sido comum ver reportagens e relatos de animais que não abandonam os túmulos dos seus cuidadores ou de outros que, desnorteados com a morte dos seres humanos a quem amavam, saem pelo mundo, perdidos, como se estivessem à procura daquelas pessoas. Por outro lado, também, quanta gente sofre desesperadamente quando seus queridos animais morrem… é um sofrimento profundo, dilacerante e que revela a força do vínculo amoroso com cães, gatos, cavalos, pássaros e outros pets.

Mas, retornando ao tema da Constelação Sistêmica, os animais demonstram amor e fidelidade aos cuidadores e ao grupo familiar que os acolheram adoecendo, por exemplo, com depressão profunda, negando-se a comer como se tivessem desistido de viver, outros desencadeiam desequilíbrios metabólicos, revelando o que está acontecendo de forma camuflada com os seres humanos daquele grupo… poderia citar mais uma infinidade de sintomas e manifestações anímicas e físicas por parte dos animais, porém, penso que até aqui já é suficiente.

Olhando de uma forma mais abrangente para os animais de estimação que, em muitos casos, servem para o deleite dos seres humanos, é preciso abordar o caos nas cidades e nas áreas rurais pelo abandono crescente de animais. Esses seres vivem como errantes nas ruas, praças e estradas de forma assustadoramente triste e que deveria nos envergonhar enquanto pessoas (é preciso admitir que nossa espécie abandona até bebês humanos). Sistemicamente, isso é sentido pelos animais como grave traição porque os animais, como demonstrei na primeira parte desta reflexão, ao serem retirados da natureza, no passado, dedicam-se total e incondicionalmente aos seus cuidadores humanos. Quando acompanhamos o trabalho de voluntários, organizações em várias regiões, que à semelhança do Mito de Sísifo, esforçam-se para resgatar e dar mais dignidade aos animais abandonados, é preciso admitir que é uma consequência do mal que nós seres humanos fizemos direta ou indiretamente aos seres que nossos ancestrais retiraram da natureza e, que hoje, estão sendo tratados de forma a provocar tanta desarmonia, sem contar que a culpa dos que abandonam aflora em algum momento, de forma velada, interna ou de maneira gritante. Os animais sofrem as consequências da insensibilidade humana.

Para finalizar esta breve abordagem, é preciso que cada um de nós olhe com mais inteligência e discernimento para a nossa relação com os animais de estimação e, num próximo salto evolutivo nosso, para o que fazemos com todos os seres da natureza com os quais convivemos diretamente ou não. É tempo de conscientizar e de agir. (Aluísio Alves: Doutor em Educação Médica, Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Constelador Familiar).

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