A BUSCA CEGA DA ACEITAÇÃO E DA APROVAÇÃO

Uma das raízes do sofrimento é a exagerada postura de se buscar – a todo custo – a aceitação e a aprovação das outras pessoas.

Inegável é a nossa procura pela felicidade, pela harmonia e pela ausência de conflitos, porém, quando elegemos a aceitação e a aprovação dos outros como condições para nos sentirmos plenos, começa aí uma longa e quase interminável estrada que nos leva ao sentimento de fracasso existencial.

Uma das evidências dessa forma de se buscar a felicidade é o esforço para agradar, muitas vezes, sem se dar conta da energia inútil que se gasta e do risco das frustrações porque um contrato pressupõe a concordância de todas as partes envolvidas, um contrato baseado na expectativa é uma das mais conhecidas formas de se decepcionar. É um movimento que a pessoa faz como se fosse um acordo e uma troca: “eu lhe agrado e você retribui” ou “eu faço tudo para lhe agradar e você está encarregado de me fazer feliz”. Isso só existe no mundo interno, no campo do subconsciente, porém, seus efeitos nocivos são visíveis no campo da saúde emocional, física e espiritual. Esse tipo de transação acontece também na relação que o indivíduo que busca aceitação e aprovação por parte da divindade ou do seu mundo transcendental. Os resultados, já sabemos, não vem conforme esperados por quem, sem que se dê conta, age assim.

A busca cega da aceitação e da aprovação é uma distorção da mente que afasta a pessoa de uma rota paciente e dedicada do autoconhecimento. Conhecer-se é a grande tarefa da qual ninguém está isento. Todos temos o imperioso trabalho de conhecer quem somos nós e o que fazemos com nossos pensamentos e sentimentos. Esse movimento ocupará toda a nossa vida e, mesmo ao final, muito pouco teremos conhecido da nossa verdadeira natureza.

Esse apego à ilusória necessidade de ser aceito e de ser aprovado rouba a dignidade do ser e o coloca mentalmente numa posição de inferioridade em que somente se sentirá feliz se o outro “carimbar seu passaporte para a felicidade. Quem se posiciona assim, além de não querer se dar conta disso, teima por meio de explicações e argumentos falsos em justificar sua deturpada e equivocada maneira de buscar a própria realização condicionando-a à boa-vontade das outras pessoas.

O que está escondido no âmago dessa postura é uma infinidade de agregados do ego que merecem e exigem um aprofundado estudo para sua identificação e compreensão, mas, para o que estamos propondo como reflexão aqui, já é suficiente ficar claro que se a pessoa criar a falsa dependência da aceitação e da aprovação dos outros para sua própria vida, estará presa num caminho estreito e que a conduzirá ao vazio e à profunda decepção. É preciso dizer também que está presente nessa maneira de viver um julgamento secreto em que o ser imagina que fazendo alguns movimentos ou agradando os outros, será feliz porque o outro fará com que se sinta feliz. Isso é uma ilusão e um desperdício do grandioso presente que é a vida. (Aluísio Alves: Doutor em Educação Médica, Psicanalista, Terapeuta Sistêmico e Constelador Familiar).

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