PARA ALÉM DE MOCHILAS, CELULARES, LIVROS E CADERNOS

Estudantes levam para as salas de aula suas singularidades e suas heranças familiares. Ter consciência de como isso pode impactar a vida escolar de crianças, jovens e adultos é um bom começo para profissionais da educação que querem ampliar sua visão acerca desse tema.

A presença de forças ou leis sistêmicas atuando nos grupos familiares é silenciosa e a confirmação dessas realidades se dá por meio da percepção dos efeitos na vida dos integrantes de cada família. Ao contrário da crença popular, a influência dos pais biológicos é muito forte, mesmo que os filhos tenham sido criados longe deles devido a várias circunstâncias. A alma de cada filho ou filha está sempre voltada para os pais biológicos, mesmo que sobre isso nada falem ou não tenham nenhum contato com eles ou que já estejam mortos.

Essas leis arcaicas continuam atuando na consciência individual e na consciência de clã familiar, sendo que a segunda fala mais alto do que a primeira em termos de características comportamentais. Trata-se de uma espécie de lealdade inexorável. Isso se manifesta a partir de estímulos inconscientes e, em muitos casos, podem ser vistos como uma variação de comportamentos deslocados. Em grande parte, as ações humanas são determinadas por instância inconsciente e isso dificulta muito um entendimento neste contexto educacional por parte dos agentes da educação formal.

Um estudante fora do lugar que lhe cabe no grupo familiar de origem pode apresentar grande melhoria e progresso na vida estudantil quando é estimulado a assumir sua posição correta, ou seja, pode estar invertendo papeis com outros membros da família.

O desinteresse ou alguns sintomas de alheamento podem indicar a falta de sentimento de que pertença ao seu grupo familiar e, enquanto sua alma estiver buscando sanar essa carência, certamente, outras atividades externas não despertarão sua concentração e interesse em participar da vida escolar.

Alguém cujos pais estão em desequilíbrio em que um se coloca como maior do que outro, terá intensa dificuldade de estabelecer relações interpessoais e desenvolver uma socialização satisfatória, podendo apresentar sintomas de isolamento e crueldade com os outros, dentre vários comportamentos.

A verdade é que os estudantes, de fato, carregam muito mais do que mochilas, celulares, livros, cadernos e outros materiais escolares, transportam em suas almas, em seu psíquico profundo uma carga de ligações inevitáveis com seu grupo familiar, sobretudo, com seus pais, avós e bisavós. Dependendo da força de tais influências, logo nos primeiros anos de vida, já na vida escolar, demonstrará se tais influências são positivas e os impulsionam para o mais, que é a vida, ou para o menos, que é a subtração do seu poder para avançar nas relações e nos aprendizados fundamentais para construir sua própria história e navegar no oceano das adversidades, frustrações, alegrias e sucessos presentes na vida real. (Aluísio Alves: Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Pós-Doutorando em Educação, Doutor em Educação Médica, Hipnose Clínica, Mentoria de Líderes e Equipes).

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