DESCONEXÕES QUE ADOECEM: A NECESSIDADE DE UMA PSICOLOGIA PROFUNDA

Vivemos tempos de banalizações, naturalizações e “descompreensões” muito perigosas que colocam muitas pessoas à beira do abismo.

Tratar os problemas aos quais todos nós estamos sujeitos nesta vida de forma superficial, sem levar em conta os sentimentos humanos que envolvem nossas relações que tem raízes muito anteriores ao nosso nascimento é, no mínimo, inoperante, ou seja, não da resultados. Somos seres complexos e, como diziam os antigos, “coração é terra onde ninguém pisa”.

Certamente o que vou apresentar aqui poderá trazer reflexões e estranhamentos. Isso é ótimo porque é sinal de que existe um interesse genuíno de compreender nossa natureza profunda e um desejo de conquistar mais fluidez para ser, fazer e ter.

Aprendi nos meus estudos e confirmei nesses anos de atendimentos a pessoas de todos os níveis culturais, financeiros, orientações sexuais e filosófico-religiosos, que as adversidades emocionais e psíquicas, os problemas de relacionamentos, de saúde, de carreira profissional e outros, tem a ver com desconexões interpessoais. Significa que as desconexões com alguma ou algumas pessoas tem o poder insistente de adoecer nosso psiquismo e interromper o fluxo de crescimento integral nos aspectos materiais, emocionais e espirituais.

Essas exclusões e desconexões, sobretudo, com os pais e ancestrais são muito fortes e geram consequências pesadas. Trata-se de algo muito diferente de aceitá-los, é mais profundo. Aceitar, nós aceitamos por conveniência social ou funcional, um profissional que nos presta serviço, por exemplo; mãe e pai biológicos e demais antepassados devem ser tomados no coração, mesmo que não os tenhamos conhecido ou que tenham, de alguma forma, nos prejudicado em algumas fases de nossas vidas. Tomar é uma atitude interna de reconexão com pais e ancestrais, com a devida gratidão impagável porque eles, principalmente, os pais, foram os canais para que a vida chegasse até cada um de nós.

À primeira vista, parece ser algo simples, de fato, para algumas pessoas, não é complicado tomar os pais no coração e, com isso, se livrarem dos problemas que lhes afligem; a maioria, porém, parece ter extrema dificuldade em fazer esse movimento de alma porque estão presos nos julgamentos e nos pensamentos, quer dizer: não conseguem tomar os pais com facilidade, exigem um tratamento mais refinado e eficaz, uma psicologia muito mais profunda.

Num mundo marcado pelas respostas rápidas e sem muito sentido profundo, em que se faz uma planificação rasa e incompleta a respeito das questões da existência, daquilo que adoece o psiquismo humano, é preciso retomar o caminho interno de uma psicologia profunda, capaz de remover as barreiras e os entraves à qualidade de vida em todos seus aspectos. Neste sentido, é preciso abordar a desconexão com o destino, com a culpa, com a morte e com tudo e todos que estão relacionados com o Ser que adoece, primeiramente, na alma, e, em seguida no corpo, nas relações com a Vida, consigo e com a saúde.

Afinal, nestes tempos de banalizações, naturalizações e “descompreensões” muito perigosas que colocam muitas pessoas à beira do abismo, é necessário se tratar com mais seriedade, buscando se reconectar com a Vida por meio de uma psicologia mais profunda e capaz de entrar nos complexos labirintos da alma humana. Pense nisso e aja! (Aluísio Alves: Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Pós-Doutorando em Educação, Doutor em Educação Médica, Hipnose Clínica, Mentoria de Líderes e Equipes).

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