FAMÍLIAS E GERAÇÕES MARCADAS PELO VÍCIO: TRATAMENTOS E SOLUÇÕES

Antes de entrar neste breve estudo, precisamos encarar uma verdade que incomoda muito: apesar do vício, a vida segue normal para muitos viciados, inclusive, muitos, tendo boa saúde e que, em certas pessoas, os vícios não interferem nos relacionamentos ou na vida profissional e outros setores. Não há uma explicação completa para isso, mas, é assim que acontece.

O organismo e biologia ditam muito quando o assunto é o efeito ou os efeitos dos vícios em cada pessoa. Por outro lado, é preciso entender que é uma grande bobagem afirmar que, no caso dos vícios com drogas, a respeito de que, por ser natural, não faz mal. Existem muitos venenos naturais.

Basta ter uma pessoa com algum tipo de vício que lhe prejudica para que a família e as gerações seguintes fiquem marcadas pelo sofrimento. Além da repetição da história do vício, ou seja, descendentes e parentes que são atingidos pelos problemas gerados pelo vício, existem movimentos na consciência coletiva da família que levam à expiação por problemas criados por antepassados, nada fica sem compensação. Já atendi gente com vícios, cuja origem era, algum suicídio no passado da família, outro, era alguma injustiça cometida por ancestrais. Isso pode atravessar gerações e fazer muito mal, obviamente.

Tem gente que deseja abandonar os vícios? Claro que sim, porém, o simples querer não ajuda totalmente, embora, seja uma condição inicial, aliás, muito pouco adianta a família conduzir o viciado para tratamentos quando ele próprio não deseja ajuda e está bloqueado para qualquer intervenção.

Como é do conhecimento de todos, existem vícios cultural ou socialmente aceitos, porém, isso não significa que são menos nocivos. O álcool é o que mais gera mais atendimentos e crises de abstinência por conta de questões biológicas e suas consequências contínuas para parceiros, amigos, filhos, irmãos e pais.

Algumas comprovações científicas demonstram que adolescentes tem áreas cerebrais muito danificadas pelo uso de drogas e isso é irrefutável, portanto, não se trata de moralismo ou de preconceito, é um fato real contra o qual não existem argumentos.

A aceitação incondicional do viciado é a postura principal de quem quer ajudar, sobretudo, na família. Focar a pessoa e suas necessidades mais sagradas é fundamental, sem julgar. A empatia dentro da família é essencial porque colocar-se no lugar do viciado pode esclarecer muito sobre o grande sofrimento que traz na alma.

Existem áreas do cérebro que são ativadas pelo vício e isso é algo diferente de ser mau ou bom.

Pessoas mudam porque percebem que podem mudar, que existe outra oportunidade e que podem se superar. Isso vem pelo toque em suas almas e pelas ajudas de vários profissionais e variados recursos.

Jamais devem ser menosprezados os gatilhos ou reforços externos, grupo social, ambientes etc e nem os estímulos fisiológicos, visuais e auditivos. Significa dizer que alguns viciam nas estimulações diversas, por exemplo, relaxamento muscular, fuga da realidade ou do estresse, preencher o vazio existencial em muitos outros estímulos para a ação ou para o aquietamento.

Acreditar em si e acreditar no outro, não se importando com qual seja o vício, desde drogas lícitas ou ilícitas, pornografia, compulsão alimentar, jogos eletrônicos, dentre muitos.

Qual é a função dos sintomas? Pode ser revelar problemas de antepassados e cuja manifestação faz com que o viciado ou a família olhem para algo que foi excluído e que precisa de um lugar no coração do grupo familiar.

O que vem na história familiar? Famílias e gerações marcadas pelo vício tem algo a curar em si mesmas e somente uma intervenção profunda pode trazer à superfície da consciência aquilo que estava submergido no inconsciente, assim, se realiza um tratamento que vai muito mais além do que combater o que é visível para todos. É preciso ir até o que não se vê com os olhos da razão científica. (Aluísio Alves: Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Pós-Doutorando em Educação, Doutor em Educação Médica, Hipnose Clínica, Mentoria de Líderes e Equipes).

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