FILHOS QUE COBRAM AQUILO QUE OS PAIS NÃO PODEM DAR

Duas realidades que nós, filhos, devemos entender e aceitar é que nossos pais são seres humanos, portanto, imperfeitos; e que jamais poderemos retribuir no mesmo nível ao que eles nos deram.

Filhos que passam a vida cobrando aquilo que os pais não podem dar estão olhando para trás, porque olham para os pais julgando-os como severos juízes, assim, não olham para suas vidas e nem constroem algo significativo no aspecto material, emocional ou espiritual. Estão presos pelo orgulho de se sentirem superiores aos pais e, por isso, dominados por uma raiva camuflada e que parece não ter fim, não percebem que já estão fazendo pior do que aqueles a quem julgam de maneira tão dura.

Insaciáveis, filhos que cobram dos pais o que eles não podem dar, porque são seres incompletos, devoram recursos materiais tanto do pai quanto da mãe, ao mesmo tempo em que os consomem emocionalmente tentando lhes impingir uma culpa por não terem dado aquilo que seus egos inflados acham que merecem devido à sua auto-importância. Esse orgulho exacerbado gera uma barreira intransponível ao sucesso pessoal e profissional dos filhos que se posicionam como reizinhos aos quais os pais deveriam reverenciar porque só caminham para o êxito os filhos que tomam com respeito a mãe e o pai no coração, mesmo que não tenha sido possível conhecê-los ou com eles conviver. A alma dos filhos sempre busca a mãe e o pai biológicos e isso é lei universal e eterna, constituindo-se, assim, em mais uma demonstração de destrutiva arrogância viver como se estivesse isento de respeitar as leis da existência e do universo. Os pais adotivos têm um lugar especial, mas, portanto, trataremos desse tema em outro estudo.

Caso os filhos confundidos pela auto-importância cometerem alguns tipos de desatinos em desfavor dos pais biológicos, poderão perder seu direito de pertencer o que significa se condenarem a viver como um zumbis perdidos nas avenidas da existência e sobrevivendo de restos podres do que é descartado pelo mundo. Perder o pertencimento é algo tão grave que só acontece mesmo em situações muito extremas, mas, os que viram as costas para a grandeza da mãe e do pai e lhes odeiam já se encontram muito próximos dessa pesada punição das leis eternas da vida.

Mães e pais biológicos deram aos filhos o mais nobre e o mais valioso que se pode oferecer a alguém: o canal para a vida e os que se recusam a reconhecer isso e ficam presos na mesquinharia das imperfeições humanas, com seus desencontros, erros, problemas e adversidades, confundem a grandeza da força da existência com as próprias exigências de caprichos egoicos e infantis. A vida é coisa séria e é para adultos que entendem a imperfeição e a limitação que cada história individual tem em seus contextos e tempos particulares. Filhos que cobram aquilo que os pais não podem ou puderam dar são cegos para a riqueza que um casal trouxe para seus descendentes: o dom da vida. Birrentos, passam longos anos na ignorância acerca das leis que regem a vida e não evoluem, ao contrário, envelhecem precocemente e jogam fora toda a força que vem dos ancestrais e que, gostando ou não, concordando ou discordando, somente podem lhes chegar por meio da mãe e do pai, mesmo com suas falhas e imperfeições.

Aos que rejeitam aquilo que veio dos pais resta o rigor das leis universais, e como essas dinâmicas eternas não se prendem à contagem dos dias, meses e anos, nenhum movimento será feito para mudar ou revogar a força dessa regência que está acima de todos os mortais, quem deverá se dar conta disso, tomar consciência da própria estupidez somos nós, os filhos, porque os pais nada perdem com isso, apesar de sentirem tristeza profunda, porque já deram algo tão grande que jamais poderá ser recompensado de forma igualitária na balança da justiça que regula a lei da hierarquia.

Existe solução e cura para essa postura dos filhos que cobram aquilo que os pais não podem dar? Sim, a boa solução que conduz à cura está em os filhos reverenciarem sua mãe e seu pai por reconhecerem neles os pais certos para si e terem na alma a gratidão pelo maior bem que receberam deles: o canal para a vida que lhes tomou para um propósito maior. (Aluísio Alves: Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Pós-Doutorando em Educação, Doutor em Educação Médica, Hipnose Clínica, Mentoria de Líderes e Equipes).

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