EXPECTATIVA, FRUSTRAÇÃO E FALTA DE COMUNICAÇÃO AMOROSA

EXPECTATIVA, FRUSTRAÇÃO E FALTA DE COMUNICAÇÃO AMOROSA

Descobrir a origem do sofrimento humano é a condição essencial para tratar de forma segura e eficaz a pessoa que busca solução.

Lembro-me da história de uma pessoa que, com menos de quarenta anos, mesmo sendo correta, ética e muito dedicada à carreira profissional, com bons resultados, mesmo assim, se queixou de um desconforto muito grande no que dizia respeito a relacionamentos amorosos. Durante o atendimento se queixou da dificuldade que tinha para confiar e se entregar ao amor, disse do quanto se apaixonava no início, para, pouco tempo depois, perder o interesse e sentir um espécie de repulsa pela outra pessoa, o que a levava a terminar um relacionamento após o outro, sem se permitir conhecer o outro e, também, mantendo-se fechada emocionalmente para ser conhecida.

Havia passado por muitos anos de terapia que, embora reconhecesse o quanto tinha ajudado, porém, continuava com uma sensação de inadequação e chegava a se sentir incompetente para viver e trocar afeto. Sua vida se resumia a ir da casa para o trabalho e ter sono inquieto, muitas insônias, o que fazia com que se sentisse sempre com muito cansaço e falta de energia.

Ao constelar esse desconforto, foi revelado que, em silêncio, sem falar com ninguém sobre isso, sofria de forma dilacerante um mal-estar em relação à sua mãe. Entretanto, seu relacionamento com a mãe sempre foi bom e não havia acontecido nada de grave para que se sentisse nesse estado emocional em relação a ela, que era uma pessoa tão maravilhosa! Quando nos deparamos com situações semelhantes a esta descrita, é tratado o pertencimento familiar, fortalecendo-se a atitude de gratidão e a posição correta na hierarquia familiar do descendente com os pais e antepassados. Em geral, é suficiente para resolver, porém, naquele caso, havia algo mais profundo que mantinha aquele paciente preso no adoecimento emocional, na falta de alegria de viver e na incapacidade de estabelecer relações amorosas duradouras.

Foi necessário descer ainda mais fundo na história pessoal e familiar para descobrir conteúdos inconscientes que não se revelam facilmente. Havia a necessidade de voltar ao momento do que podemos chamar de ponte emocional do paciente para ver com clareza que a expectativa da alma não havia sido confirmada logo no início da gestação e que a frustração já havia se alojado no mais profundo íntimo da pessoa naquele período no útero materno. Após essa constatação dificílima de ser percebida, foi possível entender o quanto a falta de comunicação amorosa estava bloqueando as relações amorosas na vida adulta daquela pessoa e o quanto as raízes desse problema estavam tão longe na trajetória daquela alma sofredora.

Isso não foi o final do tratamento, ao contrário, foi o início, porque, só é possível tratar com eficácia e obter resultados quando existe a clareza da origem dos problemas enfrentados pela pessoa. Foi necessário aprofundar muito e, em muitos momentos, ir contra as próprias convicções do paciente para encontrar a boa solução num aprofundamento quase impensável para muita gente.

Por isso que terminei de descrever resumidamente, pelo que aprendo nos estudos cada vez mais profundos e, mais ainda, nos atendimentos que realizo individualmente e em grupo, é que compreendo que existem causas muito ocultas para alguns sofrimentos humanos e para encontrar suas origens é preciso ir além da própria terapia, é necessário adentrar os labirintos da alma com respeito e sensibilidade à história sagrada e secreta de cada ser que chega a este mundo e que, surpreendentemente, determinados sofrimentos começam muito antes da concepção e da vida atual. (Aluísio Alves: Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Pós-Doutorando em Educação, Doutor em Educação Médica, Hipnose Clínica, Mentoria de Líderes e Equipes).

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