MINHA VIDA PESADA DEMAIS PARA OS OUTROS

Que a minha leveza não signifique ser pesado demais para as outras pessoas.

Existem sutilezas no campo das relações interpessoais que, se a pessoa não abrir os olhos para observar os próprios comportamentos, dificilmente perceberá. O pior é que, por não perceber o quanto ocupa desnecessariamente os outros, quem age assim, transferindo seus problemas para outras pessoas da família ou de outros grupos sociais, acaba gerando uma repulsa que torna sua convivência muito afetada e difícil.

Uma fixação inconsciente na fase de bebezinho leva a pessoa a olhar para o mundo e as pessoas como se tudo devesse lhe servir incondicional e ininterruptamente. Enxerga os semelhantes nas mais diversas situações e contextos como se fossem súditos e servos dispostos a admirar sua majestade e realizar todos os seus desejos imediatamente.

É o que estou chamando de minha vida pesada demais para os outros. Mente manhosa com profundo sentimento de inferioridade, necessitando de socorro e ajuda, mas, que, lamentavelmente, não recebe o que verdadeiramente precisa porque arroga para si e põe como principal ingrediente do comportamento uma máscara de superioridade que somente este tipo de mente enxerga, não as demais pessoas que cruzam o caminho de gente com esse perfil.

Na prática, pessoas que tem vidas pesadas demais para os outros querem sempre mais dos semelhantes. São, por isso, cruéis. Machucam com palavras pontudas os atendentes nos mais diferentes serviços e cenários, querem mais detalhes e não se saciam nunca na sua mania de querer saber tudo a respeito de algo que não fazem o menor esforço para compreender. Reclamam de procedimentos, de padrões e de preços porque estão convencidas de que para elas tudo tem que ser customizado, sob perfeita medida. Não aceitam nem sequer pensar em viver vidas comuns assim como bilhões e bilhões de outras pessoas e, com esse sentimento incrustado no seu íntimo, andam para lá e para cá, perdidas e brigando com o mundo, “em conflito com a civilização”, como disse Sigmund Freud.

Há, ainda, os que fazem pesar suas vidas sobre o parceiro ou a parceira, sobre o pai ou a mãe ou sobre aquele filho ou aquela filha, irmã ou irmão que se arvoram em superiores para exigirem como crianças raivosas e mimadas, que lhes sejam atendidas necessidades também pesadas… líderes que se tornam extremamente pesados para sua equipe, profissionais que dificultam o trabalho de colegas ou da administração…pessoas que jogam seus lixos internos na pessoa que atende atrás do balcão ou do outro lado do WhatsApp, gente que, sem o perceber, se torna indesejável por todos os demais devido ao vício de ser pesado e difícil para os semelhantes.

Esta reflexão tem um objetivo claro: colocar o problema e incentivar a autoanálise, o autoconhecimento profundo e o esforço natural que precisa ser feito para superar imperfeições e melhorar os relacionamentos interpessoais.

Tanto na família quanto em outros grupos de convivência, pessoas que tem o mal hábito de serem pesadas para os outros, são evitadas e isoladas devido ao cansaço que geram nas demais pessoas.

O caminho para a solução é exatamente o oposto. Basta observar que gente mais resolvida, menos pegajosa e exigente tem mais fluidez nas amizades, nos negócios, na relação amorosa e sua vida material se desenvolve, tem prosperidade, sua motivação e saúde emocional estão sempre evoluindo, mesmo com os desafios que enfrentam. Buscar ser mais leve para os outros é a boa solução, afinal, os outros não são servos e nem empregados, são semelhantes, independentemente do nível social, econômico ou quaisquer outros comparativos.

O equilíbrio é essencial em tudo, portanto, evitar ser uma vida pesada demais para os outros é uma forma muito elevada de ajudar a humanidade evoluir em todos seus movimentos, a começar pela família e pelas pessoas mais próximas. É urgente tornar as coisas, as relações, os contatos, enfim, a vida, mais leve para todos os seres que têm contato conosco nesta jornada planetária ou que conosco convivem muitos ou pouco dias… Que a minha leveza não signifique ser pesado demais para as outras pessoas. (Aluísio Alves: Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Pós-Doutorando em Educação, Doutor em Educação Médica, Hipnose Clínica, Mentoria de Líderes e Equipes).

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