OUVIR SÓ O QUE GOSTA OU O QUE PRECISA?

Em qualquer tratamento sério, nas mais diversas áreas da saúde física, mental ou emocional, entra a importância da comunicação entre o profissional e o paciente/cliente. É preciso questionar se ouvir o só o que gosta durante uma consulta ou ouvir o que precisa tem influência no resultado?

Dependendo do perfil da pessoa que busca ajuda, pode haver uma abertura mental para ouvir mesmo aquilo que vai contra sua maneira de pensar ou acreditar ou pode haver uma exigência velada, uma espécie de atitude infantil, que não aceita nenhuma informação que desagrade o mundo de conceitos que criou para se abrigar das tempestades da vida, um mecanismo de defesa que, infelizmente, divide a pessoa internamente e a mantém longe do que precisa ser efetivamente tratado. É compreensível essa diferença assim como é perfeitamente claro o resultado também diferente entre uma postura e outra. Não é um defeito, é uma postura interna e isso, caso a pessoa queira, pode ser mudado.

Ao buscar um tratamento para algo que a aflige ou incomoda individualmente ou no casamento ou nas relações familiares, em alguma área especifica da vida financeira, da saúde ou da carreira profissional, a pessoa está sujeita a descobertas sobre si, sobre a história familiar ou sobre algo ainda mais profundo que tem implicações sérias em sua qualidade de vida. Esse algo profundo pode ser chocante devido ao conjunto de crenças que a pessoa construiu ao longo da vida. A partir desse ponto é que tem enorme influência nos resultados do tratamento se a pessoa se recusa a ouvir o que precisa e apenas quer ouvir algo que não impacte sua forma de vida e demonstre que precisa agir.

Enxergar o que está por trás dos sintomas ou dos incômodos é uma parte do tratamento, a outra é o que a pessoa precisa fazer para mudar pensamentos, transmutar sentimentos e revisar hábitos. Isso incomoda, é claro, mas, é desse desconforto é que surge uma vida curada, livre e aberta para o que e positivo na vida.

Nos atendimentos que faço individualmente ou em grupo, por uma questão de postura profissional, por querer a boa solução e a cura, sempre mantenho a atitude de falar o que a alma precisa e não o que o ego gosta de ouvir. Isso tem trazido muita libertação de formas equivocadas de viver ou de olhar para si, para os ancestrais, para os filhos ou para os próprios problemas da existência. Não atendo pessoas para agradá-las ou “ficar bem visto” por elas, expresso para o paciente aquilo que seu campo individual e familiar mostra, nada a mais e nada a menos. Somente após isso é que realizo o processo final terapêutico.

A ato do tratamento e da cura não permite negociação como ego porque esse agregado psíquico se finge de essência para manter a pessoa presa à doença, ao desequilíbrio das relações amorosas, com o dinheiro, com suas metas e objetivos existenciais… saber discernir entre falar só o que o outro quer ouvir e falar aquilo que a alma precisa ouvir tem sido um ponto decisivo no processo terapêutico do corpo, do mental, do emocional e do espiritual. E é óbvio que quem busca solução sabe perfeitamente quando está sendo “agradado”, mas, prefere procrastinar, deixar para depois, a solução que tanto precisa na vida. Essa atitude, logicamente, agradará ao ego, mas, no decorrer dos dias se revelará como uma forma de viver que só mantém a ilusão como carcereira da própria vida.

Cabe à pessoa fazer escolhas, afinal, se quer mesmo melhorar e construir mais qualidade de vida, terá que mudar de atitude e, claro, buscar ajuda com profissional que fala o que a alma precisa para ampliar a percepção da força que tem para ser e viver cada vez com mais saúde e energia realizadora. (Aluísio Alves: Psicanalista, Terapeuta Sistêmico, Pós-Doutorando em Educação, Doutor em Educação Médica, Hipnose Clínica, Mentoria de Líderes e Equipes).

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